
O QUE ME MATA NÃO É SABER QUE FOI O INIMIGO QUE DESTRUIO-ME
O QUE ME MATA É SABER QUE ESTOU MORRENDO PELOS AMIGOS
Sim são os meus amigos que não enxergaram o obvio
O que era necessário ter feito para eu poder continuar viva
Nesta hora percebi que realmente estamos em uma selva de concreto armado
Cada um por si e salvem-se quem puder
Mas quem sou eu que nada ensinei?
Será que não fiz a diferença?
Fui assim tão mesquinha, injusta?
Não me dei ao exemplo esses anos todos?
Dei liberdade por demais?
Ou o que não pude perceber?
Deus! Como dói ver a amargura estampada neles
A maldade dissimulada
A falsidade mascarada
A solidariedade disfarçada
O lobo vestido de ovelha
Deus! E aqueles que acreditaram no sonho...
Que ousaram a voar...
Acreditar em mudanças
Que as muralhas cairiam
Que o bem venceria o mau
Bastaria a união de forças
A luta árdua
Empenho constante
Disposição a toda hora
Amor no realizar
Como explicar a perversidade
A luta desleal
A dizer que não é o bem coletivo o objetivo
E sim o próprio umbigo
O poder, o ego, a ambição...
Haverá descanso nessas vidas?
Poderão em paz estar?
Creio que sim, é mais fácil não enxergar
A culpa apontar
E inocente ficar
Mais um castelo foi derrubado
Mais um sonho desfeito
Uma vida anulada
Desprezada, abandonada
Desvalorizada
Esses anos todos não fiz nada?
Rosemary

